Desafio Multimodal 2016

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O desafio tem por objetivo estimular a intermodalidade na cidade. Nossa proposta é fazer com que o usuário experimente utilizar no mínimo 3 modais para chegar a um destino comum partindo das 4 zonas da cidade. Foram escolhidos os principais parques de cada uma das regiões (norte, sul, leste e oeste) como ponto de partida, e o destino será o Conjunto Nacional. De cada região partirão de 2 a 3 equipes, com um participante de mobilidade reduzida, para que possamos avaliar como está a acessibilidade na cidade (afinal um dos princípios da mobilidade urbana é o acesso universal). Cada competidor será acompanhado por uma equipe de filmagem que gravará as escolhas e dificuldades do percurso.
Este ano teremos uma participação especial mais que especial de pessoas com  deficiência ou restrição de mobilidade
Envolvidos:  32 a 40  participantes, divididos em duplas

Modalidades disponíveis

  • A pé – mínimo 100m e máximo até 1,0 km
  • Táxi – máximo R$ 10,00 (App EasyTaxi)
  • Metrô/Trem– Bilhete único
  • Ônibus – Bilhete único
  • Carona – máximo 4 km ( com App Caronetas)
  • Bicicleta locada avulsa 
  • Bicicleta dobrável
  • Skate (2 participantes)
  • Patins (Um participante)

Roteiro

Dos 4 parques estaduais da cidade até o Conjunto Nacional ( Avenida Paulista)

  • ZONA NORTE: Parque da Cantareira

 Parque da Cantareira

  • ZONA LESTE: Parque Ecológico do Tietê

Parque ecologico do Tiete

  • ZONA SUL: Parque Estadual Guarapiranga (Sairemos da Av Atlantica 1100)

Guarapiranga

  • ZONA OESTE: Parque Villa-Lobos

Vila lobos

  • Apenas 3 modalidades serão sorteadas de forma a serem obrigatórias no percurso do participante.
  • Todos os participantes levarão consigo um smartphone com aplicativos de Carona, Taxi, Google e medidores de caloria  instalados.
  • As modalidades serão sorteadas na sexta feira dia 18 de setembro, em local a definir, e informadas aos participantes.
  • Cada grupo será filmado por uma câmera portátil e ao final serão editados todos os vídeos e publicados no Youtube, de forma a ilustrar as experiencias de cada dupla nos trajetos
  • Regras para definição da Região com melhor mobilidade: Distância x tempo , conforto, modais disponíveis, atividade no percurso, segurança dos usuários.

Realização

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Apoio estratégico:

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SPsemCARRO

Inscrições Abertas

Chega de Assédio no Transporte Público: Um debate entre Governo e Sociedade Civil em busca de uma cidade mais justa e democrática

O último debate da Virada da Mobilidade, sobre assédio sexual no transporte público, foi construtivo, complexo e inflamado. Fechando um ciclo importante de conversas, despertou o debate sobre mobilidade dentro da sociedade civil e criou um diálogo forte e contínuo com o governo e as empresas a respeito do tema.

A mobilidade é um veículo para cidades mais democráticas, justas e acessíveis. É por isso crítico aumentar esse diálogo e levantar as questões como: o que é mobilidade? Para quem? Como ela deve ser imaginada e implementada?

Pensando nisso, recebemos, na última sexta, 25, o grupo Chega de Assédio, o chefe de gabinete da SPTrans, Ciro Biderman, a rapper Luana Hansen e a jornalista do El País, Marina Rossi, para discutir a violência sexual que as mulhueres sofrem diariamente no transporte público, como educar a sociedade a esse respeito, pressionar o poder público para assumir o problema e ajudar as vítimas que padecem com as agressões diariamente.

As representantes do Chega de Assédio, que surgiram originalmente em um grupo do Facebook, elaboraram uma lista de demandas para cobrar do poder público segurança, divulgação de dados, mais treinamento aos funcionários, entre outros pedidos. “Abrimos a nossa lista pedindo que o poder público, tanto estadual quanto municipal, assumam que as vítimas existem. Quando a sociedade não assume que uma mulher foi violentada, ela é agredida pela segunda vez”, explicaram.

Além dessa demanda, pediram que o quadro de funcionários seja composto por mais mulheres: “Hoje, no metrô, só 10% do efetivo é de mulheres, enquanto que o contingente de passageiras é de 50%. Isso precisa mudar”.

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Hansen, que compõe músicas sobre a dificuldade e violência que mulheres de periferia e negras enfrentam no seu cotidiano, colocou a importância do poder público em treinar seus funcionários e colaboradores: “Não queremos um cartaz falando que a gente não tá sozinha. Esperamos um posicionamento verdadeiro. É preciso treinamento, inclusive com motoristas e cobradores, que também assediam as passageiras”, exigiu.

Biderman disse que é vontade da SPTrans educar motoristas e cobradores. A ideia é testar uma parte do corpo de funcionários para analisar qual a efetividade desse treino. Contou que, como acadêmico, fez uma série de pesquisas sobre equidade de gênero no mercado de trabalho e que se interessa em estimular sim a contratação de mais funcionárias mulheres para o serviço de transporte público. Isso também faz com que as passageiras se sintam mais confortáveis.

Vocês têm que facilitar a denúncia, também”, respondeu uma das integrantes do Chega de Assédio. “Uma companheira foi assediada por um cobrador e não conseguiu fazer a denúncia porque ela não tinha o número da placa do carro. E outra: o canal dessa denúncia não pode ser só a internet, ou o telefone. Vocês precisam colocar pontos de apoio à mulher pela cidade toda”, sugeriu. Pediram, também, que o treinamento seja mais inteligente e feito diretamente com os funcionários, ao contrário do que o poder público tem feito, que é treinar um setor mais gerencial que, por sua vez, transfere os ensinamentos aos demais.

A mediadora Marina Rossi (El País), depois de ouvir algumas demanadas e respostas da SPTrans, sugeriu que se criasse um Comitê dentro da Secretaria Municipal de Transporte voltado para discutir essa causa. Para ela, é preciso que esse grupo seja composto por mulheres que utilizam o transporte público todo dia, de diversas regiões da cidade. “Isso é mais interessante do que gastar milhões com propaganda e campanhas mal feitas. Coloquem a gente lá dentro. Acho que é um jeito de começar”, explicou.

Além desses compromissos, foi pedido que a SPTrans divulgasse os dados sobre a violência contra a mulher nos transportes de sua competência; agendasse uma reunião pública entre representates com poder decisório da Prefeitura e da Secretaria de Transportes e o grupo Chega de Assédio; e a autorização, por parte do poder público, de panfletagem e informativos sobre o tema em terminais de ônibus da cidade.

Ciro Biderman se compromoteu a levar as demandas para a agência e, num prazo de 15 dias, responder aos pedidos. Aguardemos os próximos encaminhamentos. Acompanhe a página da Virada da Mobilidade no Facebook para saber qual foi a resposta do poder público e para ficar por dentro das atividades que vão rolar no ano que vem.

Até a próxima!

Como pedalar com segurança na cidade? Lições de uma Virada com a Bicicletada Iluminada e a Co.Bike

Ontem foi o dia das bikes na Virada da Mobilidade. Com o Sol se pondo no Largo da Batata, muitos ciclistas chegavam para instalar luzes de LED nos pneus das suas magrelas e participar da 2ª Bicicletada Iluminada, uma pedalada que atenta para os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da ONU, chamando atenção para a questão da segurança dos que pedalam a noite.

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Organizados pela Action 2015, Abong e pela Muda de Ideia, os shows de Luana Hansen, do bloco Ilú Obá de Min, uma oficina de bike express e outras atrações agitavam a praça. Por volta das 19h, já escuro, o grupo de ciclistas começou a se organizar para sair iluminando a Pedroso de Morais e a Avenida Faria Lima. À medida em que escurecia, as luzes coloridas, instaladas nos pneus, ficavam cada vez mais fortes, produzindo um cenário quase psicodélico, inspirando os transeuntes e quem participava da atividade.

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Um pouco depois da Bicicletada, a Co.Bike anfitriou uma discussão sobre a inserção e o estímulo do uso da bicicleta em empresas e organizações, na Vila Madalena. Dividiram os presentes em cinco grupos e, em modelo de World Cafe, discutiram os desafios, soluções e motivações para inserir a bike no cotidiano.

Os desafios que mais apareceram foram a violência no trânsito, as intempéries, a conscientização de todos os agentes que estão nas vias e, nessa linha de pensamento, problematizaram a urgência de aprimorar a educação e mudar cultura da cidade com relação a esse modal. “Tem gente que ainda vê o pedestre ou o ciclista como um obstáculo, algo que incomoda os outros no trânsito”, comentou um dos grupos.

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Depois de discutirem os desafios, falaram sobre as soluções que podem estimular a melhor convivência dos modais nas vias e incentivar o uso da bike como, por exemplo, isenção fiscal para o ciclista e também para as empresas privadas. Foi dito que, se as organizações perceberem que podem economizar com o seu funcionário caso ele vá de bike ao trabalho, elas irão criar mais infraestrutura para isso se tornar real, do tipo instalar um bicicletário, chuveiros, reparos grátis, entre outras possibilidades.

Por fim, os grupos discutiram quais motivações fariam com que os funcionários de uma empresa adotassem a bicicleta como meio de transporte. Em consenso, todos citaram que as maiores motivações são, em geral, a melhor qualidade de vida, que é uma consequência da saúde que se adquire pedalando, da sensação de autonomia e, para muitos, da economia de tempo que esse modal gera.

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Esse tipo de estímulo, entretanto, deve ser estudado e analisado, segundos os presentes. Claro que as empresas devem sim estimular o uso da bike entre seus colaboradores e funcionários mas, antes de tudo, é interessante traçar um perfil dos que ali trabalham para saber quais as demandas e qual o melhor jeito de implementar um programa como esse, concluíram.

Imaginando uma cidade mais democrática e sustentável. Por que não?

A corrida como meio de transporte, transformar o Tietê em parque, ocupar espaços públicos com música e ruas verdes. Já Imaginou?

As rodas de conversas no Armazém Cultural, durante a Virada da Mobilidade, trouxeram à tona vários assuntos diferentes, mas de igual importância para pensarmos cidades mais inteligentes e com uma melhor qualidade de vida.

Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem”

Na segunda-feira, Silvia Cruz abriu a programação contando sobre o seu projeto da CorridaAmiga. A iniciativa, como o Bike Anjo, disponibiliza voluntários para instruírem pessoas que desejam usar a corrida como meio de transporte no dia a dia, mas ainda não sabem como. Silvia contou que descobriu esse modal quando fazia um estágio de doutorado na França e, depois, na Finlândia. “Lá eu descobri que as pessoas corriam pra se locomover. Achei a ideia o máximo porque você não perde tempo se locomovendo, uma vez que transforma o seu transporte em uma atividade física. Quando a gente quer realmente fazer, traspassamos todas barreiras que encontramos no caminho.”. Lá, no Armazém, deu as mesmas dicas que fornece aos corredores iniciantes, como a adaptação da mochila, o sinalizador para corridas noturnas, o que levar consigo entre outras. E contou uma história inspiradora de quando atravessou 200 quilômetros da Dinamarca, correndo, em apenas 4 dias. “Essas experiências me fizeram entender o que é a utopia. Acredito que ela seja nosso alvo direcional, a estrada para aquilo que a gente acredita”. E terminou com uma citação que a inspira, de Rosa Luxemburgo, que diz: “quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem”.

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Silvia Cruz, da CorridaAmiga, explicou como utilizar a corrida como meio de transporte

Permacultura e música urbanas

Em seguida, na segunda roda de conversa do dia, Henny Freitas contou sobre a sua experiência com permacultura, conscientizando os presentes de que, se consumíssemos alimentos que nós mesmos produzíssemos e plantássemos, evitaríamos um transporte cujo preço é caro — não só em termos monetários, mas para o ambiente, porque exige a criação de estradas, importação coisas, o que gera uma mobilidade insustentável. Jornalista e permacultora, Henny compartilhou conosco suas experiências de viagens e passou uma mensagem de conscientização de otimizando a nossa mobilidade conseguimos evitar os desperdícios gerados pela indústria.

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Tchello e Henny falam sobre como atitudes individuais impactam o coletivo

Dividindo essa mesa, chamada “atitudes individuais com impactos no coletivo”, estava Tchello, um fotógrafo andarilho que virou quase um arquétipo urbano, sendo conhecido em muitos lugares de São Paulo por caminhar com sua caixa de som ambulante, chamada Xana. Contou sua história e mostrou como sua simples ação de caminhar tocando música, algo aparentemente fugaz, gera reações interessantes e, o mais importante, uma ocupação significativa dos espaços públicos. “O legal de levar um “lounge portátil” é que eu ja fui adotado por uma série de pessoas que gostam de usar o som na rua — coletivos, indivíduos, crianças. E isso me fez aportar em lugares super legais como, por exemplo, o Parque Augusta”. Contou que a sua iniciativa já até gerou um movimento de sucesso chamado o Buraco da Minhoca, que acontecia no túnel que liga a Praça Roosevelt ao Minhocão, acesso que fica fechado pela noite.

 Ruas verdes, cidades colaborativas e um parque no Rio Tietê

Na quarta-feira contamos com três rodas de conversa. A primeira, de Augusto Anaes, era sobre seu projeto Rede Verde SP. Arquiteto e urbanista, Augusto desenvolveu a ideia de interligar parques e praças da cidade com ruas verdes, todas, arborizadas. Essa ação seria feita em vias locais, no canteiro central delas, com um sistema inteligente de captação de águas de chuva e espaço o suficiente para estimular um local de convivência e a implementação de ciclovias. Sua pesquisa, muito bem elaborada, leva em consideração o sistema de transporte e ônibus e metrô, a topografia dos bairros, e levanta muitos dados e critérios em consideração para escolher quais seriam as ruas verdes. Tendo como base um mapa de ruas contíguas, ele mostrou várias opções de trajetos para realização dessas conexões, ressaltando que o ideal seria contar com a ajuda do poder público e participação massiva da sociedade para escolher quais são as ruas nas quais deveria ser aplicado esse modelo. “É quase uma colcha de retalhos. Estou propondo um sistema para articular parques e praças, formando uma rede única de áreas verdes para a cidade, estimulando a ocupação dos espaços, a qualidade do ar e, consequentemente, de vida”.

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Augusto Anaes expôs seu projeto Rede Verde SP, que procura interligar parques e praças com ruas arborizadas na cidade

Adriano Ortolani, o segundo palestrante da noite, apresentou o projeto Cidades Colaborativas, um guia que procura reunir uma centena de iniciativas que trabalham com consumo colaborativo no Brasil. Sua pesquisa mostra que, daqui 10 anos, esse tipo de economia irá arrecadar R$ 350 milhões, mas que esse mercado é ainda muito incipiente no Brasil. Segundo Ortolani, a grande estratégia do compartilhamento está na questão da mobilidade, porque é a área que mais sugere alternativas colaborativas hoje. A partir do guia eles desenvolveram uma plataforma para reunir essas iniciativas online, onde todo mundo pode sugerir a inclusão de seus projetos, se estes atenderem seus preceitos básicos.

A última roda de conversa do Armazém Cultural foi ministrada pelo antigo secretário de Cidadania do Ministério da Cultura, Célio Turino. Historiador, escritor e gestor de políticas públicos, Célio ressaltou a importância de ressignificarmos os espaços públicos da cidade. Contou como São Paulo era nos anos 30 e 40, lembrando que a várzea do Tietê era um parque enorme o qual todos poderiam usufruir. Citou vários outros locais da cidade que foram destruídos por causa da falta de planejamento urbano, atentando para a importância de voltarmos a ocupar esses lugares como, por exemplo, o Parque Dom Pedro. “Hoje esses lugares poderiam ser readaptados, reincorporadas como parques. As vezes pode parecer fantasioso, porque é difícil imaginar como recuperar a várzea de um rio poluído como esse. Mas seria incrível e democrático, uma vez que esse rio atravessa a cidade. Não seria um parque só localizado em uma região. Não é impensável. Seul também tinha empestiado seus rios e os revitalizou. O Tâmisa também era poluído, como o Tietê. Aqui também poderia acontecer”.

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Célio Turino falou sou a importância de ressignificarmos e ocuparmos os espaços públicos

Já imaginou?

A quarta-feira fechou um ciclo de debates sumariamente importantes para pensar a mobilidade em São Paulo. Foram instrutivos, inspiradores e ajudaram e repensar a cidade, dando força de vontade para os presentes de ressignificar os espaços, melhorar a qualidade de vida e tentar levar essa experiência para fazer algo duradouro à sociedade.

Fotos: Priscila Pacheco/WRI Brasil

Desengarrafando o seu dia a dia

Ontem, na Virada da Mobilidade, o jornalista e escritor de Como Viver em São Paulo sem Carro, Leão Serva, o editor da Época Sociedade, Marcelo Moura, e o fundador do Caronetas, Marcio Nigro, conduziram a roda de conversa “Desengarrafando o seu dia a dia” na UniItalo em Santo Amaro.

A atividade contou com a presença de quase 100 estudantes da Universidade, que se dispuseram em formato de arena, ao redor de um tabuleiro de xadrez em tamanho real cercado por árvores, que compunha o cenário verde e charmoso.

Marcio Nigro abriu a roda contando do Desafio Multimodal, atividade que acontece na Virada da Mobilidade e propõe que seus competidores testem mais de um meio de locomoção para chegar a um destino comum. Explicou que as pessoas que participam dessa atividade se surpreendem com a rapidez que essa oferta de modais oferece: “as pessoas não precisam só pegar um ônibus de porta à porta. É preciso descobrir quais modais podem compor o nosso dia a dia”, concluiu Nigro.

Quando Leão Serva foi apresentado pela gestora ambiental do programa EcoÍtalo da universidade, Milena Beatrice, recebeu sua primeira pergunta da noite: “É possível, afinal, viver em São Paulo sem carro?”, ao que o escritor do livro homônimo respondeu com outra pergunta: “quantas pessoas aqui vieram sem carro?”, recebendo como resposta mãos levantadas de algo como 90% da plateia. “Então. Me parece possível, certo?”.

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Alunos da Uniitalo assistem à roda de conversa “Desengarrafando seu dia a dia”

O livro, que existe desde 2012, ajuda a desmistificar o transporte público como um serviço ruim, ineficiente. “Nosso objetivo é mostrar que pessoas legais, trabalhadores e até globais administram outras formas de locomoção. Já tive um entrevistado que contou ‘poxa, hoje em dia eu posso comer uma caixa de Bis sem culpa porque eu andei o dia todo’. Cada um com as suas prioridades…”, disse, arrancando risadas da plateia. Ainda que descontraído, Serva procurou mostrar as vantagens de não andar de carro na cidade. “Hoje eu estudo no transporte público. Posso ir lendo o caminho todo. E talvez ainda chegue mais rápido que o carro. Afinal, muitos anos atrás, a velocidade média da cidade era de 35km/h. Hoje é de 7km/h”.

Marcelo Moura, da revista Época Sociedade, ressaltou a importância de se empregar, em uma cidade como São Paulo, a teoria de alocações estáveis. A teoria permite combinar necessidades com demandas a partir do cruzamento de dados. “É algo relativamente simples nos dias de hoje e já é usado por aplicativos de paquera. Se usarmos essa prática para melhorar a logística de São Paulo, será muito melhor para nós”, explicou. O impacto desse tecnologia para a mobilidade se destaca na carona, como já acontece com alguns apps e no Waze, que teve impacto transformador: “por que as pessoas não podem sugerir, ali, o caminho mais agradável, mais arborizado? Isso melhora a qualidade de vida das pessoas, fazendo da mobilidade algo mais agradável”. Para Moura, as soluções estão dadas. “Moramos em uma cidade com 12 milhões de habitantes. Com certeza alguém vai ter o que eu procuro e vice e versa, basta sistematizar isso”.

Ao fim, os presentes dialogaram com os palestrantes e colocaram uma série de questões, perguntando sobre referências de estudos em mobilidade, onde achar exemplos de modelos de transporte bem sucedidos mundo afora, como otimizar o trajeto casa-trabalho-faculdade, como atrair a atenção do poder público para a periferia, entre outras indagações. Foi uma noite produtiva, que questionou paradigmas há muito tempo estabelecidos, propondo novas formas de se locomover, colocando em pauta o preconceito contra o transporte público e o modo de se relacionar e de pensar a cidade.

Diário de uma Virada – o fim de semana

A Virada começou num sábado de muito sol com várias atividades na rua e iniciativas criativas e inovadoras.

A primeira atividade de todas, o Desafio Multimodal, reuniu quatro grupos animados que competiram para chegar a um mesmo destino, o Conjunto Nacional. A tarefa parece simples, mas teve que ser cumprida com uma condição: cada grupo tinha que usar ao menos 3 diferentes modais de transporte no trajeto.

Advindas do Parque Villa Lobos, da Cantareira, do Parque Ecológico do Tietê e do Guarapiranga, as equipes chegaram até a Avenida Paulista depois de usarem ônibus, bike, metrô, trem e até patinete! Quem participou da atividade se surpreendeu com o resultado, percebendo que usar mais de um modal para chegar a um destino pode tornar a viagem mais rápida.

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Fotos e vídeo (abaixo) do Desafio Multimodal

 

Depois do Desafio, no período da tarde, a Virada contou com duas atividades para crianças: a Criativismo City, no Vale do Anhangabaú, e os Palhaços sobre Rodas, no Minhocão. Lúdicas e educativas, as duas ensinaram as crianças a respeitarem a sinalização do trânsito, as ciclovias, as placas e as faixas de pedestre e de carros. A primeira delas, fez as crianças absorverem os ensinamentos de trânsito, na medida em que elas simulavam automóveis e vestiam carros de papelão e eram, elas mesmas, os próprios semáforos da cidade. No início da atividade elas se chocavam, de brincadeira, umas com os outros. Mas, ao fim da atividade do Criativismo, passaram a respeitar os sinais do semáforo, as faixas e, inclusive, os pedestres.

 

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Dupla de Palhaços sobre Rodas alegram a Paulista, chamando atenção para os perigos do trânsito

 

A dupla dos Palhaços sobre Rodas, Jupter e Trapino, conseguiu mesclar o tom engraçado com a conscientização a respeito do trânsito. Eles ensinaram às crianças, e adultos, regras básicas de convivência, principalmente entre motoristas e ciclistas, variando entre humor e dados técnicos (no ano passado morreram 47 ciclistas). Na frente do Parque do Trianon, em meio ao movimento de um domingo quente de São Paulo, as crianças observaram a esquete concentradas, entrando no universo dos Palhaços com muita facilidade e naturalidade, ainda que eles estivessem tratando de questões tão sérias como acidentes e mortes no trânsito.

Durante a noite de sábado, também no Vale do Anhangabaú, a Virada ficou muito animada ao som de Vertical Jungle e Cúpula Soul. As duas bandas retrataram as intempéries do cotidiano, problematizando a dificuldade de viver em uma cidade complexa e com periferias mal conectadas, como São Paulo, conscientizando as pessoas sobre a convivência e cuidado que temos que ter com os espaços públicos. Com bancos de balanço e luzes coloridas ao fundo, os músicos chamaram atenção para a mazelas e belezas da cidade, destacando que um dos primeiros passos para ser um agente de mudança, em São Paulo, é refletir e ajudar a melhorar a mobilidade urbana da cidade.

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Banda Vertical Jungle tocou no Vale do Anhangabaú. Suas letras chamavam atenção para a intensidade de São Paulo e outros aspectos do cotidiano

Corra – literalmente – para o trabalho!

Você já se imaginou correndo — literalmente — para o trabalho, academia ou qualquer destino? É o que promove a iniciativa da gestora ambiental Silvia Cruz, a CorridaAmiga. Um dos parceiros da Virada da Mobilidade 2015, ela vai apresentar, no Armazém Cultural, uma nova forma de se locomover em São Paulo hoje, dia 21/09, às 18h.

Silvia, que usava a corrida para se exercitar desde 2010, descobriu que é possível fazer da atividade um meio de transporte quando foi estudar no exterior. Na França e na Finlândia, ela descobriu que seus colegas usavam a corrida para ir e voltar do trabalho e incorporou a iniciativa no seu dia a dia.

Aqui as pessoas correm meia maratona no parque, mas acham coisa de louco ir correndo pro trabalho!”, comenta. “Depois que voltei para o Brasil, pensei: se as pessoas usam isso lá fora, por que não disseminar essa prática aqui?”.

Foi assim que começou a CorridaAmiga. Inspirada no modelo do Bike Anjo, a iniciativa ajuda e orienta as pessoas que querem ir correndo ao trabalho com o mesmo modelo de voluntários. O iniciante faz seu primeiro trajeto auxiliado por alguém da CorridaAmiga, geralmente em um fim de semana, afim de descobrir as melhores rotas para chegar ao seu destino. “Os voluntários vão ensinar como usar a mochila na corrida, a logística da roupa, entre outros macetes importantes”.

Além do trajeto acompanhado, Silvia sugere que os adeptos da corrida como meio de transporte leiam o Manual de Deslocamento Ativo para obter mais dicas sobre esse modal. “Uma sugestão, por exemplo, para as pessoas que não têm vestiário no local de trabalho, é que cheguem uns 40, 30 minutos antes para dar tempo de resfriar o corpo e não ficar suando”. O Manual também dá instruções sobre o que fazer em dias mais secos e quentes, a respeitar a sinalização, ter atenção às calçadas, etc. “Gosto de dizer que correr na cidade é o mesmo que fazer uma corrida de aventuras”, conclui.

Com cada vez mais adeptos, a CorridaAmiga já está presente em 15 cidades do Brasil, possui mais de 100 voluntários e 100 corredores, que correm, em média, de 5 a 10 km por dia. “Se a pessoa trabalha muito longe, ela pode misturar os modais: ir de transporte público até uma parte do caminho, e terminá-lo correndo”, ensina.

Essas e outras dicas, informações e um pouco mais da história da CorridaAmiga você assiste hoje, segunda-feira, às 18h no Armazém Cultural. Lá, Silvia vai contar sobre a sua experiência e irá nos ajudar a refletir como mudar os paradigmas de locomoção de São Paulo, aprimorando, otimizando e repensando a mobilidade urbana da cidade.

Roda de Conversa I: Corrida Amiga
18h
Armazém Cultural – Rua dos Cariris, 48, Pinheiros

Pedale com segurança e ilumine a cidade!

Você está preparado para pedalar com segurança a noite? Quer iluminar a cidade com 170 ciclistas? Então venha para a 2ª edição da Bicicletada Iluminada.

Na quinta-feira, dia 24, às 17h30, a Muda Ideia e a ABONG vão distribuir 170 sinalizadores de segurança (LED) para os ciclistas acoplarem nas suas bikes e, em seguida, sair circulando e iluminando o Largo da Batata e a Avenida Faria Lima. O trajeto vai da Pedroso de Morais até a Cidade Jardim, acabando no próprio ponto de partida, o Largo da Batata.

O objetivo da atividade é sensibilizar e mobilizar as pessoas para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e deixar como legado mais segurança aos ciclistas que pedalam a noite. Na concentração ainda será oferecida uma oficina de pequenos reparos e, durante o percurso, outros monitores ajudarão os participantes, dando orientações de conduta e facilitando a travessia em cruzamentos.

Confira como foi a 1ª Bicicletada Iluminada e não deixe de participar: https://www.youtube.com/watch?v=ddrA48AUXYo

2ª Bicicletada Iluminada
24/09
17h30 – 20h
Local: Largo da Batata

Como a Bike pode beneficiar a sua vida e empresa?

Quer usar a bike para ir trabalhar, mas ainda não tem coragem? Tem uma empresa e quer estimular seus funcionários a utilizarem a bike para irem trabalhar? Então participe dessa atividade.

No dia 24 de setembro a Co.Bike irá fazer uma roda de conversa para trocar ideias sobre as vantagens de inserir a bicicleta na rotina da cidade. Preocupada em transformar a qualidade de vida das pessoas e conectar as necessidades dos ciclistas com ações públicas, a Co.Bike convida todos que procuram estimular o uso da bicicleta na cidade e mudar os deslocamentos diários e o bem estar no cotidiano. A atividade também vai mostrar aos líderes empresariais como eles podem incentivar o uso de novas alternativas de transporte nas suas companhias e problematizar os desafios desse modal.

O objetivo é mudar paradigmas e inserir esse tipo de modalidade no trajeto casa-trabalho, mostrando os benefícios e desafios da bicicleta como meio de transporte do dia a dia, além do seu uso para o lazer. Também serão dadas dicas de segurança, explicações sobre direitos e deveres e instruções sobre a conduta certa, educada e gentil que os ciclistas devem assumir no trânsito.

O intuito dessas instruções é estimular o uso da bicicleta para deslocamentos de até 10 km na cidade, demonstrando aos potenciais ciclistas que é possível deixar de usar o automóvel, pelo menos uma vez na semana, para ir ao trabalho. Ao mesmo tempo, a atividade procurará conscientizar as empresas sobre a importância de sua participação nesse processo, desmistificando os modais alternativos ao carro e ajudando os empresários a incluir outras opções de transporte para seus funcionários e colaboradores.

Desafios e benefícios da bike na sua vida e na sua empresa
19h30 – 22h30
Rua Fidalga, 76, Vila Madalena